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Como medir a evolução do meu negócio? (parte 2)

Como dizem os economistas, somente um índice não nos conta toda a história. Uma empresa mesmo muito lucrativa pode fechar. Você não concorda? Vejamos. Suponha que você monte uma revenda de automóveis. Neste ramo é bastante raro a venda a vista. Devido ao alto valor do bem sempre existe algum financiamento envolvido. Mas, não obstante este fato, as montadoras de automóveis só trabalham com vendas a vista. Percebeu o furo? Por maior que seja seu lucro, bem possivelmente sem a ajuda de alguma instituição financeira, você não terá dinheiro em caixa para honrar seus compromissos. Como dizia Mario Henrique Simonsen, ”a falta de lucro aleija, mas a falta de caixa mata”. Assim devemos criar um índice que mede o fluxo de caixa, e quanto maior for a sobra de caixa , melhor para a empresa. Mas como fazer isto no dia-a-dia das minhas operações?

No comércio o maior custo para a maioria das empresas, e isto é ainda mais relevante para os atacadistas, é o preço de custo dos produtos. Geralmente o valor pago aos fornecedores ultrapassa mais da metade de toda a venda da empresa, chegando a muitos casos perto de 80% do faturamento. Por isto se quisermos gerir o índice de fluxo de caixa, teremos que monitorar o giro de estoque. O ideal aqui é somente pagar aos fornecedores após a efetiva venda de seus produtos, assim não teríamos que nos preocupar com o fluxo de caixa. Como isto na realidade não acontece, a administração da rotação de estoques através de relatórios que nos informe a data média de vencimento destes, e também dos lotes de produtos que deram entrada é imprescindível. Estas informações devem ser analisadas com a equipe comercial para incentivar as vendas dos produtos e realizar promoções especiais. Estes relatórios serão essenciais para que os compradores negociem cada vez melhor com os fornecedores e lhes apresentem a situação real do giro de seus produtos.

Outro fator a considerar é se a empresa possui uma rotação de estoque negativa, ou seja, se o estoque é maior que a soma das dívidas com os fornecedores. Neste caso, ela terá seu crescimento limitado pelo tamanho de seu capital próprio ou por seu crédito no mercado. Assim cada vez que as vendas subirem será necessário o aporte de capital na empresa.

Deste modo poderemos criar um índice para fluxo de caixa que seja calculado dividindo-se o valor atual do estoque pelo montante atual das dívidas com os fornecedores, este índice deverá estar sempre abaixo de 1(um) para que tenhamos um giro de estoque positivo. Muito cuidado neste item para não dividir ‘bananas por laranjas’. Geralmente em relatórios de estoque o valor dos impostos sobre vendas, tais como ICMS, é retirado do custo do produto nos mostrando o valor líquido. Mas nos relatórios de pagamentos a fornecedores estes impostos estão inclusos. Temos então que fazer uma adequação para que possamos calcular corretamente o índice.

No próximo artigo iremos nos aprofundar mais na definição de outro item de extrema importância na condução de nossos negócios. Até breve.